Num cenário onde o mercado é o mundo, o segmento de Geoinformação está aquecido e apresenta perspectivas de crescimento no futuro. Grandes investimentos como as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a descoberta das reservas petrolíferas do Pré-sal, a realização da Copa do Mundo e Olimpíadas tornam o Brasil um “paraíso” para investidores, na medida em que essas obras demandam coleta, integração, análise ou compartilhamento de informações geoespaciais.
O fato do mercado de geoinformação relacionar-se diretamente com os serviços de utilidade pública, telecomunicações, energia e infraestrutura; ou seja, os elementos fundamentais para o crescimento do país, destacam a gravidade e importância, da falta de regulamentação e de políticas públicas do setor, permitindo a entrada de empresas e profissionais estrangeiros no mercado, promovendo a concorrência desleal e comprometendo o crescimento das empresas nacionais.
Além da infraestrutura, através da engenharia e consequentemente da Avaliação de Impacto Ambiental, o uso da inteligência geográfica também pode ser utilizada em outras questões como segurança pública, agronegócio e uso dos recursos naturais, através do desenvolvimento de aplicações GIS, de equipamentos para geodésia e topografia.
As ferramentas de Sistema de Informações Geográficas (SIG) podem atuar ainda na implantação de um Sistema Nacional de Prevenção e Alerta, contribuindo com a previsão e alerta de desastres naturais, no debate desenvolvimento X planeta e na elaboração de soluções para os problemas, através da recuperação de mapas, do mapeamento geológico das regiões e da reestruturação da defesa civil nos estados e cidades, visando amenizar esses impactos e as perdas humanas e financeiras.
A construção de uma política pública para o setor perpassa pela criação do Sistema de Informação Geográfica (SIG) brasileiro por meio da instituição da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE) que disponibiliza e compartilha dados e informações geoespaciais por meio de uma rede subordinada ao Ministério do Planejamento; de mecanismos para intercâmbio de dados espaciais e plataformas tecnológicas distintas; padrão nacional de metodologia cartográfica; ferramenta de GIS de baixo custo; universalização das ferramentas geocientíficas, etc.
Especialistas da área como Fátima Alves Tostes,Valther Aguiar e Emerson Granemann, diretor do grupo MundoGeo apontam a educação como um dos desafios para o crescimento sustentável do setor. Para eles somente através de investimentos em educação, para atualização profissional e renovação de métodos, técnicas e instrumentos será possível a fixação desse mercado no país. Diante de tal conjuntura, como assegurar que o ensino geográfico das instituições de ensino superior brasileiras possam contribuir para o crescimento e estabelecimento desse mercado, de forma a tornar a cultura e a política da informação do território uma prioridade?
Os estudantes de Licenciatura em Geografia deparam-se com um ensino de pouca qualidade, superficialidade nas abordagens disciplinares, defasagem de conteúdos, falta de investimentos para financiamentos de pesquisas, ausência de laboratórios para práticas curriculares e uma infinidade de questões que apenas desmerecem e desqualificam o curso, demonstrando o descaso e o descompromisso com a educação por parte das instituições de ensino superior em total discordância com o panorama atual brasileiro.
Segundo Pimenta (1999), a finalidade da educação escolar na sociedade tecnológica multimídia e globalizada, é possibilitar que os alunos trabalhem os conhecimentos científicos e tecnológicos, desenvolvendo habilidades para operá-los, revê-los e reconstituí-los com sabedoria o que implica analisá-los, confrontá-los, e contextualizá-los.
No entanto, o que se verifica, sobretudo, nas faculdades privadas, sempre vistas como empresas, contribuem não só para o esfacelamento do ensino, ao formar profissionais incapazes de operar ferramentas geoinformacionais, elaborar sistemas e manusear dados, como também para a invasão de técnicos estrangeiros no mercado nacional, coibindo dessa forma o crescimento das empresas brasileiras, a ampliação do mercado de trabalho e consequentemente o desenvolvimento do país, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego os profissionais estrangeiros vêm para ocupar vagas nos setores ligados à engenharia, infraestrutura e tecnologia, como construção civil, portos, petróleo e gás e tecnologia da informação.
Se as novas tecnologias são uma ferramenta para o aprendizado que proporcionam a formação necessária à sociedade e o mercado de trabalho exige, torna-se um contra senso o comportamento dos “pseudos capitalistas” proprietários de instituições privadas, que na contramão do desenvolvimento globalizado sucateiam a educação em nome dos baixos custos.
Educação e tecnologia devem caminhar juntas, de maneira que os estudantes venham a se inserir no mundo globalizado construindo sua cidadania, desenvolvendo habilidades que contribuam para o conhecimento reflexivo.
Maristela de Jesus.
Geógrafa.
Referências:
PIMENTA, S. G. (Org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo: Cortes, 1999.

Aêêê!!! muito bom artigo Maristela!!! conseguiu fazer o verdadeiro raio x do descaso do ensino superior perante a situação desenvolvimentista atual que vive o país. Parabéns pelo trabalho!!!
ResponderExcluirNota em solidariedade aos estudantes de Geografia da UPIS
ResponderExcluirNós, Coletivo Estudantil Território Livre (CTL/RECC), de Geografia da Universidade de Brasília, nos solidarizamos com as manifestações dos/ das estudantes de Geografia da UPIS através de cartas de repúdio que denunciam as atitudes antidemocráticas da Universidade, como a perseguição a estudantes e uma reforma curricular. Tal reforma curricular foi elaborada e aprovada sem a participação estudantil, diminui a quantidade de horas/aula e compartimenta matérias, o que a faz ser antidemocrática e precarizadora em favor do lucro.
As/os estudantes das universidades públicas também sofrem constantes reformas e cortes, como foi e é o Reuni nos governos Lula e Dillma/PT e um corte na educação de 3,1 Bilhões no governo Dilma/PT. Além disso, nesse ano, no mês de Abril ocorreu uma tragédia anunciada, por descaso da reitoria da UnB uma chuva alagou o ICC norte e destruiu grande parte do Departamento de Geografia e o Centro Acadêmico de Geografia (CAGEA). Os/as estudantes se manifestaram por meio de atos que agremiaram pautas de diversos cursos precarizados. Ainda, vencendo as barreiras do legalismo, um novo Centro Acadêmico de Geografia foi ocupado na UnB, evidenciando a importância da ação direta.
A atual conjuntura nacional evidencia o engessamento do Movimento Estudantil (ME) e sua incapacidade de dar respostas aos ataques neoliberais na educação. Isso se deve a três razões: (1) as entidades de “maior representação” estudantil (UNE/ UBES) estão vendidas ao governo; (2) aos métodos de luta legalista/ parlamentarista que não levam a vitória e; (3) por sua fragmentação. Logo, faz-se necessário romper com o governismo, o legalismo e a fragmentação. É fundamental que nós (estudantes de Geografia) reorganizemos o ME de Geografia do Centro- Oeste para que possamos conquistar nossas pautas.
Por tudo isso, nós do Coletivo Território Livre/RECC demonstramos nosso apoio, não apenas como apoiadores externos, mas nos entendendo como parte desta luta por uma educação de qualidade, entendendo que é necessário não apenas esta nota de apoio, mas que possamos construir canais de diálogo e organização conjunta que nos permitam uma verdadeira e ativa aliança dos/as estudantes de Geografia do DF.
Todo apoio à luta dos estudantes da UPIS!
Reorganizar o Movimento Estudantil de Geografia!
Abaixo as reformas neoliberais do governo Dilma e o novo PNE!
Coletivo Estudantil de Geografia Território Livre (CTL)
Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC)
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